Desaquecimento Radiohead #2

March 17, 2009

Continuando nossa série que investiga alternativas menos cretinas para o seu fim de semana, para o bom entretenimento ao invés de nóia, solidão e drogas no show do Radiohead.

Transtorno Polipolar
No qual discutimos os tiros para todo lado de Darius Rucker


I don’t know what to do with myself…

Quem aí não se lembra de Hootie & The Blowfish? Uma banda de rock vibrante, em um estilo multi-racial muitos anos anterior ao Bloc Party sequer sonhar em fazer playback na MTV. Os caras eram uma verdadeira fábrica de hits no meio dos anos noventa, fazendo frente apenas à Alanis Morrisette - que na época era considerada a sétima Beatle (#5 George Martin, #6 Seal).

O grande problema das bandas de rock é que o público consumidor costuma ter uma relação ou de veneração eterna ou de algo semelhante a uma noite de sexo casual. Depois do primeiro disco de Hootie & The Blowfish, ‘Cracked Rear View’, deu o óbvio: tudo o que o público idealizava era que eles virassem uma boa pizza de calabresa, para que pudesse logo em seguida virar para o lado e dormir.


Hootie & the Blowfish |MTV Music

Mas a turma de Darius Rucker continuou telefonando, insistindo, na forma de discos que tiveram recepções bem menos amistosas no mercado. Depois de alguns anos se esforçando (naquelas), a banda acabou. O que aconteceu com aqueles branquelos cretinos? Ninguém sabe. Mas Darius Rucker segue aí até hoje.

Em sua primeira investida solo, Dadá resolveu largar o rockzinho de baladas + vigor ao gosto do freguês, e abraçou com vontade o neo-soul, uma vertende bi-curiosa do mela-cueca. A parada ficou tão boa que a gravadora mandou ele exibir o cavanhaque esquisitão em outra freguesia.


A viagem malemolente do ex-Hootie fez escala definitiva na república do esquecimento eterno. Mas a total falta de apego a convicções artísticas ou mesmo coerência, permitiu que Dadá carimbasse seu visto rumo ao sucesso estrondoso de seu segundo disco solo, totalmente voltado ao country!


Watch more AOL Music videos on AOL Video

POR QUE OS FÃS DE RADIOHEAD DEVEM GOSTAR? Darius Rucker canta as lamúrias da vida moderna. Coisas como “O velho e eu” (relação Ana / Naiá) “Eu só quero ficar com você” (os perigos causados pela multiplicidade de parceiros), “Segura minha mão” (a importância do téte-à-téte nesses tempos de Orkut e Fotolog) e “Não pense que eu não penso sobre isso” (sexo). Temas tão modernos e atuais que fazem OK Computer parecer coisa do século passado. Quer dizer… você entendeu…

Cotação: Dois doidões em Harvard, de dois possíveis

Desaquecimento Radiohead #1

March 16, 2009

Com o intuito de salvaguardar a moral e os bons costumes do povo brasileiro, nossa nova série pretende convencê-lo a vender seu convite para o show do Radiohead e curtir alguma coisa que realmente preste.

Grunge com Glamour
Sobre o disco novo do Chris Cornell


Millenium Facts

Com o lançamento do disco Scream (gritinho), Chris Cornell faz companhia para Aaliyah (morreu), Brandy (suicidou), Nelly Furtado (sumiu) e Justin Timberlake (não vai nada bem) no fino panteão de putinhas do Timbaland.

Se o resultado soa meio esquisito no começo, vai ganhando contornos de genialidade com o passar de novas audições. Não podemos nos esquecer que vivemos tempos de crise. Para que lançar um disco roqueiro em pleno 2009, quando todo mundo sabe que o que vai bombar mesmo é o remix? Ao chamar Timbaland para trabalhar direto com ele, nosso estimado ex-vocalista do Soundgarden cortou interlocutores, e foi direto ao que interessa.

O bigodinho número 1 de Seattle tenta há tempos pagar de boy band de um homem só, basta lembrar as baladinhas românticas de Euphoria Morning, seu primeiro disco solo. Só porque tem guitarrinha é menos cretino? Se liga:


Esse clipe com certeza veio na esteira do sucesso de The Calling - a chapinha do Cornell tá igual à do Alex Band, e o suingue estilo THE OC é idêntico. Sem contar que deixaram o cara parecendo uma boneca de cera com uns pelinhos grudados sem muito apuro na cara.

Como diria nosso amigo Belchior, por mais que a Vogue sugira o contrário, o grunge é uma camisa de flanela que já não serve mais ao Chris Cornell faz pelo menos uma década.

Com Timbaland, ele volta renovado e antenado, especialmente para a temporada 2009 de Malhação. E fez bem feito, acho que ‘Part of me’ é desde já uma das canções do ano - lembra um pouco Brandy circa 2004, mas com mais raiva no coração.



Chris Cornell “Part Of Me” (produced by Timbaland
Enviado por ThomasCrownChronicles

O trecho “I want the girl, but not what she’s going through” me faz lembrar o drama que o Touro passou quando descobriu que a Erica tava com AIDS. E se a sua canção tem um trecho que parece uma história da Malhação, meu amigo, você fez tudo certo.


Tudo o que acontece na novelinha mais forçação de barra do mundo: agora também acontece no disco do Chris Cornell

POR QUE OS FÃS DE RADIOHEAD DEVEM GOSTAR? É como ‘Idiotheque‘ soaria, caso não tivesse sido composta por alguém que apanhava tanto no colégio

Cotação: Nenhum sexo seguro, de pelo menos algum sexo possível

A primeira resenha do disco novo do Wilco está aqui

February 27, 2009

Sempre na vanguarda da internet brasileira, hoje preparamos uma resenha especialíssima sobre os títulos conhecidos das músicas do novo disco do Wilco. Vamos resenhar a princípio apenas os títulos, tendo em vista que só isso foi liberado até agora. Confira mais esse furo de reportagem na edição de hoje do Vai trabalhar, vagabundo.


Wilco will love you, baby

“Deeper Down”
Em se tratando de Jeff Tweedy, o buraco é sempre mais embaixo. Até que o sujeito demorou tempo demais para fazer uma música sobre isso - se é que a música é sobre isso. Cotação: um fuio, de um buiaco na paiede possível

“My Country Has Disappeared”
Canção épica sobre os anos de chumbo da Era Bush. Tweedy, emocionado, rasga versos sobre o sofrimento da nação que ele tanto ama e RESPEITA durante o governo anterior, até que a psicodelia cortante da guitarra de Nels Cline termina a canção de maneira grandiosa, nos avisando que Barack “LIGHTYEAR” Obama chegou para levar a América ao infinito… e além! Cotação: um Triângulo das Bermudas, de um losango possível

“Sunny Feeling”
Um título que remete, um pouco, à fase de A Ghost is Born, mas com uma pitada de Summerteeth. Acredito na junção magnífica da solaridade pós-Raul de um “Shot in the arm” somado a uma bipolaridade eletro-acústica de “Spidersmoke”. Tem tudo para ser minha canção preferida. Cotação: uma brisa de época, de uma Brisa Issa possível

“Wilco, The Song”
Eles tocaram essa no Colbert Report, fim do ano passado. Como qualquer música do Wilco que a gente já tenha de fato escutado, fica automaticamente acima de qualquer resenha. Então vamos ouvir juntinhos, numa só emoção.


# Não deixe de conferir Let It WILCO, o tumblr preferido da galera.

Geração de conteúdo na web 2.0

January 29, 2009

Brincadeira, claro que não falarei sobre essa chatice!

Na verdade, hoje vamos conversar a respeito de dois ex-blogueiros que têm meu apreço e estão lançando discos excelentes. Rafael Capanema e moskito estão partindo de uma indústria fadada ao insucesso (blogosfera) para uma que está moribunda (ind. fonográfica). Terão meus dois colegas o toque da morte? Vejamos.

BAZAR PAMPLONA - À ESPERA DAS NUVENS CARREGADAS

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que sou fã de longa data dos projetos de Rafael Capanema. Cheguei a montar um fã-clube para a saudosa Duas Bichas, banda-evento que ele mantinha com o primo Thiago Capanema. Lembro que depois ele entrou numa fase meio yoñlu, o que me deixou um pouco ressabiado, nunca permitindo que ele entrasse na banheira com a chapinha ligada.

Desta feita, Rafael teve tempo para envelhecer, e virar um universitário, e posteriormente um renomado jornalista da Folha de São Paulo. Nesse meio tempo, reuniu alguns amigos para tocar no Bazar Pamplona, que apesar do nome de brechó, é na verdade uma banda.

E que banda, meus amigos. A voz do Capanema está um pouco diferente (acredito que sejam os hormônios), e eventualmente a banda lembra um pouco Los Hermanos - apenas para nos fazer ter certeza que não há nada de errado com isso, galera. Quem viveu 2002 aprendeu que nada era tão gostoso quanto ouvir o Bloco do Eu Sozinho enquanto ríamos das respostas divertidas que R.C. escrevia em suas provas.

Cotação: uma nostalgia, de uma nostalgia possível (that’s what rock n roll is all about)

OS VILSOS - DISCO HOMÔNIMO

Entenderam a brincadeirinha do título do disco de estreia da banda do moskito? Ein, ein? A capa poderia ser aquele gif animado da mãozinha fazendo PESCOU, PESCOU, que ele tanto curtia usar.

Em linhas gerais, podemos dizer que moskito, Cíntia Loureiro e aqueles outros caras que moram com eles conseguiram chegar na mais perfeita simetria pop… gaúcha! Antigamente isso seria uma grave ofensa ao trabalho do meu amigo, mas claro que passei dessa fase. moskito é uma espécie de Frank Jorge com mais trocadilhos. Ou um Wander Wildner que eventualmente vai no dentista. Ou ainda um Jupiter Apple que nunca deu o rabo (acho).

A música que todos estarão comentando é “Machucadinho”. Muito bem produzida, ficou mundialmente famosa por ser trilha sonora das aventuras de Ronald Rios em seu programa Com a palavra… Ronald Rios. É engraçado como esse nome de programa parece coisa da Gazeta dos anos 60, imagino a decepção das pessoas ao perceberem que Ronald Rios não lembra em nada o Miéle.

Aliás, o humorista carioca também participa do disco fazendo uma releitura daquela corrente da menina que morreu andando de bike, ou algo assim. É a “Faixa escondida no meio do disco”, mais um momento PESCOU, PESCOU da obra de moskito.

Ou seja, trabalho da mais alta qualidade. Só por possuir finalmente em um arquivo de qualidade o clássico “João”, esse disco já deveria estar na sua lista de downloads há meses.

Cotação: três bombachas e cinco chimarrões, de um galpão crioulo possível

Meu cãozinho Xuxo

January 5, 2009


‘Fiz blockbuster e continuo virgem’

Sigo apático desde a saída da sessão de Marley & Eu. Há muito tempo um filme não me deixava tão consternado.

O que há de errado com a humanidade? Porque assistir a morte de cãezinhos trapalhões nos emociona tanto? Que diabos nos faz ir até o cinema e pagar para chorar como garotinhas púberes? Pobre Marley, o pior cão do mundo, que jamais teve a chance de entender coisa alguma, mas sempre se mostrou carinhoso quando mais foi preciso.

Que estranha força magnética os cães labradores possuem. Força esta que Jennifer Aniston adoraria possuir, mas fica claro que até um Owen Wilson desgostoso pela vida consegue apresentar mais carisma do que ela.

Mas enfim, a história do filme é genial. Se não tás afim de ir ao cinema, segue um breve resumo: cão é adotado, cresce, fica velho e morre. Parece que estou omitindo alguma coisa interessante e/ou essencial para a trama, mas na verdade estou apenas te poupando das lições babacas.

Além do nosso prazer diabólico de curtir ver filmes em que cachorros inocentes morrem no final, fico impressionado com a engenhosidade que existe em transformar não-histórias em entretenimento edificante para a Sessão da Tarde.

Cotação: 3 vontades de comer carne e cachimbo, de 5 possíveis

Mallu Magalhães, cretina

November 14, 2008


Vaca é a sua mãe, Sílvio

Confesso que mais li a respeito de Mallu Magalhães do que de fato ouvi. Passei uma ou duas vezes pelo MySpace da menina, que durante algumas horas foi o lugar mais legal da internet, mas as histórias em torno do mito MM sempre foram muito mais legais que as canções.

Aquele papo do desenho para o Bob Dylan, o próprio fato dela desenhar aquelas coisas horríveis, o estilo de se vestir totalmente Menino Maluquinho, as sapatilhas bicolores, o fracasso em premiações, o namoro com o cara que tem aquela baratona na cara, e agora esse relacionamento esquisitão com o Marcelo Camelo. Isso é muito mais legal que qualquer música que a mocinha possa ter bolado desde o começo da produção de Chinese Democracy pra cá.

Digo isso depois de ouvir o recém-vazado disco de estréia. Ela é tipo a Paris Hilton, ainda que a pequena Mallu não tenha um hit do quilate de Stars Are Blind.

É notável que ela goste de todos esses sons legais tão novinha, mas o resultado do que ela faz não é diferente daquelas meninas confusas que se vestem da mesma maneira que os personagens de mangá preferidos.

O disco da Mallu é um cosplay folk. Ela não criou nada, não fez nada remotamente relevante, mas acham legal porque, oh, ficou bonitinho.

Cotação: ainda nenhum sutiã, de um primeiro sutiã possível

Halls - Discografia Completa

October 16, 2008

Durante os últimos anos, a carta de sabores do drops refrescante Halls, em especial sua variedade preta, ficou extremamente identificada com o sexo oral. Visando libertar-se dessa pecha e recuperar a imagem da marca, sempre tão identificada com o não-bafo e o frescor juvenil, resolvi embrenhar-me em um estudo socio-degustativo a respeito de cada um dos integrantes desta agradável família.


Este é “o” Halls. O parceiro número um daqueles que curtem a noite, seja pelas propriedades fabulosas no combate ao bafo de cachaça, seja pelo tom afrodisíaco que ganhou nos últimos tempos. Muito me agrada, mas certamente não é o parceiro ideal para o dia-a-dia. Pelo seu sabor forte, acaba se tornando um prazer ocasional. Como aquele vinho que você abre apenas quando descobre que sua namorada não estava grávida.


Se a fragrância negra do Halls é a vedete, podemos classificar a versão cereja como o working class hero da linha. “Do tamanho certo do seu bafo”, diria o publieditorial. Saboroso, intenso e amigável. Não saia do posto de gasolina sem ele.


É a prova de que é possível evoluir com dignidade, e o maior acerto dentro das novidades da linha. O sabor chega a lembrar, em alguns momentos, o de uma melancia. Mas, na maior parte do tempo, tem gosto de exatamente aquilo que esperamos - Halls de melancia. Inconfundível refrescância do século 21.


O odor se assemelha, e muito, ao de banheiros públicos. George Michael evitaria algumas intrigas com a lei caso conhecesse o Halls de menta. Isso é logicamente uma nota negativa.


Os drops de morango precisariam ter metade do tamanho para que pudessem ser realmente apreciados. Doce demais para tempos tão amargos.


O sabor Mentol é incipiente, inodoro e incolor. Mas, sobretudo, ruim.


Pessoas vestidas de coelho, bolhas de plástico, guitarristas alienígenas. Um show do Flaming Lips é a melhor tradução para o puro sabor da Uva Verde de Halls. Poderia se chamar”Jesus injetando heroína”. Excelente.


A mistura de “Limão com cristais de Morango” resulta na deliciosa lembrança de que você precisa levar escova de dentes para o trabalho com mais freqüencia. O sabor é agradável, mas lá pelo quarto drops você não consegue mais andar em linha reta.


A ousadia de posicionar elegantes cristais de laranja envoltos pelo sabor da Uva (roxa, dessa vez) só não é maior do que evitar a todo custo que isso resulte em qualquer coisa parecida com uva ou laranja. Intrigante e misterioso, esse é o Halls sobre o qual ninguém consegue ter opinião formada.


“Mousse de Limão” é um exótico representante da linha cremosa de Halls. Não consigo entender muito bem o que eles pretendiam com isso, mas só posso concluir que falharam miseravelmente.


O Morango Cremoso da mesma linha é o mais puro e verdadeiro dissabor de morango. Soa como a Pitty fazendo cover dos Rolling Stones. Você percebe a qualidade na mensagem, mas compreende que está sendo passada da maneira errada.


A salvação da lavoura da linha Delícias Cremosas. Como um Dreher corporativo, o Mousse de Manga desce macio e reanima. Mas esse golpe de sorte não evita que a série Halls Creamy seja, no mínimo, um equívoco - mais ou menos como chamar o Lúcio Mauro Filho para atuar no seu filme.

* Não avaliamos a linha Light de caixinha porque isso é missão para a sua avó.

** Drops consumidos entre março e outubro de 2008.

Quantos discos do Marcelo Camelo sua namorada vale?

September 2, 2008

Em mais uma empreitada socio-cultural, a equipe do Vai trabalhar, vagabundo recebeu, diretamente da INTERNET, boa parte do primeiro disco solo de Marcelo Camelo, outrora conhecido como a metade do Los Hermanos que fazia sentido.

Antes das músicas realmente começarem a rodar o mundo, apareceu essa foto:

Pouco depois, surgiu a capa do disco:

Parece alguém se esforçando muito para virar o Oswaldo Montenegro, certo? Capa de disco CONCRETISTA e o estilo SOU MINDINGO MAS AS MOÇA ME ADORA é perder a mão em um grau bem acima do aceitável.

Mas a Equipe Chico Barney de Resenhismo-Arte não se fez de rogada e tratou de ouvir, canção por canção, o que MC tem a dizer.

DOCE SOLIDÃO
Bastante suingada, é uma espécie de mea culpa: Camelo odeia Rodrigo Amarante, mas adora as fãs dele.

COPACABANA
Marchinha de Carnaval que manda avisar: chegou a Turma do Funil, e todos estudam jornalismo.

JANTA
Mallu Magalhães é a nova Luciana Gimenez. Ela sente em português, mas se expressa em inglês. Ou vice-versa? Boa canção, e temos inclusive uma imagem exclusiva dos bastidores da dupla em estúdio.

LIBERDADE
Mais uma música em que exibe toda a vontade que tinha de continuar tocando com os ex-colegas de banda. Rodrigo Amarante perdeu o emprego para a Mallu Magalhães.

MAIS TARDE
O que aconteceria se Dorival Caymmi acordasse metamorfoseado em um camelo? Teria meia corcova, de duas possíveis. Essa canção deveras kafkaniana parece ser sobra do Ventura.

MENINA BORDADA
Uma pegada meio folclore, mas sem esquecer o que é moderno. O disco exala saudades do futuro. Especialmente no trecho”Moça por favor, cuida bem de mim”, em que Freud explica a saudade E o futuro.

PASSEANDO
Um salto certeiro na oswaldomontenegreização de si mesmo. Musiquinha instrumental meio dedilhada finalizada por alguns gemidos sem muito nexo.

TUDO PASSA
O refrão deixa bem claro que a união com Amarante não era nada além de casual. Principalmente pelo refrão “Rodrigo, vê se me erra ô ô”. Duvido que Camelo estivesse falando do BARBA, ou mesmo que lembre que ele exista.

TÉO E A GAIVOTA
O nome da música é auto-explicativo. Sabe aqueles quadros feios de gaivotas voando num céu azul? A música passa a mesma coisa. É uma vitória da tradução artística, mas uma derrota do bom gosto.

VIDA DOCE
Sobra de estúdio de “Siderado”, do Skank. Mas com a letra alterada mais uma vez pra deixar claro o quanto ele não gosta de ler os textos do Bruno Medina no G1.

Agora é ficar na expectativa de que alguma das quatro músicas faltantes preste. Voltamos a qualquer momento com mais um Boletim Sou Bagual Só Falo Merda.

Canções na noite escusa

July 17, 2008

Um disco às quartas

DONKEY é um fino rendez-vous entre Pixies acariciando Lemonheads, junto com alguns sonzinhos eletrônicos quase sempre agradáveis. Não tem nenhuma música que vá rachar a internet ao meio como ‘Superafim’, mas ainda assim é uma verdadeira pepita.

Destaque especial para a seqüencia “Beautiful Song”, “How I became Paranoid” e “Move”. Suingue contagiante, muita saúde e bom humor. Essa garotada vai longe, espero que evitem a Serra da Cantareira.

Cotação: 82 anos da imigração japonesa, de 100 possíveis

***

Um clipe ruim às quartas

Alicia Keys é a maior gatinha, em que pese os boatos de que seria uma grandessíssima de uma lésbica. E essa canção, “Teenage Love Affair”, é o maior achado do cancioneiro pop americano desde “A Public Affair”, da Jessica Simpson. Mas esse clipe é errado de tantas maneiras diferentes. A principal delas é que em determinado momento a música pára, faz uma rápida mudança para outra faixa do disco no melhor estilo “My love dont cost a thing” da J. Lo, e depois volta melancolicamente, quando tudo já está perdido. E bem na hora do decotão!

Fora que a historinha envolvendo AIDS e promiscuidade parece um episódio terrível de alguma série cancelada da Nickelodeon, só que encenada pelos pais dos atores. Não dá dessas, Alicinha.

Cotação: uma pós-ninfeta equivocada, de uma possível

Primeiros erros para sempre

July 12, 2008


Buemba! Buemba!

Eis que o Capital Inicial lançou um disco ao vivo pelo Multishow. Não deixa de ser uma boa idéia, já que passou quase uma década desde o Poço de Lázaro da banda, o Acústico MTV. E não deixa de ser uma má idéia, tendo em vista que Capital Inicial é uma bosta.

O auge do disco é a releitura de “Mulher de Fases”. O Dinho Ouro Preto é um sujeito fascinante. Ele tenta manter a voz CRUA e SUJA, mas acaba fazendo peripécias estilo Maria Rita até nessa pequena pepita do cancioneiro pop.

Em suma, inadequado de um jeito que apenas eles conseguem ser. Cereja no bolo, ainda tem mais uma regravação épica de “Que país é esse”.

Cotação: uma melancolia, de uma tristeza infinita possível

Gatinhas vintage estilo 1996

June 5, 2008

Principalmente depois que inventaram o Mark Ronson e o pop ficou mais cheio de balanço, o som da Sara Bareilles soa extremamente vôzinho, careta e retrógrado. A mistura de Fiona Apple com Lisa Loeb pode deixar os amantes da sacarose ainda mais diabéticos.

Mas a moça tem lá seu valor. Além da popularidade nível Aviões do Forró de “Love Song”, acho que a grande pepita da mocinha é mesmo “Love on the rocks”. Apesar de parecer com qualquer coisa que talvez tocasse no Baba MTV durante os tediosos anos noventa, a interpretação de uma historinha razoavelmente interessante acaba prendendo a atenção do caboclo durante 4 minutos e 13 segundos.

O resto do disco é tão interessante quanto a foto da moça. É até legalzinho, embora a napa seja meio fora de ocasião.

Cotação: meia Aimmee Mann, de nenhuma Beth Orton possível

Anywhere I lay my eyes

June 4, 2008

Já saiu faz um tempinho, e a essa altura do campeonato todo mundo já deve ter deletado o primeiro disco da Scarlett Johansson. Mas gostei bastante do disco, ele parece ter outras funções além de adicionar o nome da moça no campo “música” do Orkut, além dos clássicos “filmes”, “paixões” e “cozinhas”.

O disco remete ao projeto Bossa n’ Stones, um clássico da farofa em que um bando de artistas ruins estragam músicas dos Rolling Stones - e ainda assim o resultado é muito legal.

O talento da moça pode não ser a música, talvez não seja nem o cinema. Mas palmas para Scarlett Johansson, continua mandando muito bem, ainda que de uma maneira errada.

Cotação: dois melões, (além) de uma melancia possível

Paredão triplo

February 27, 2008

Resolvi deixar o Oscar passar para comentar os indicados - não queria que meu julgamento sobre os filmes acabasse por ter alguma influência na Academia.

JUNO

Certamente o filme mais pitoresco da temporada, especialmente pelo fato de não ter recebido um codinome em sua versão brasileira. Esperava algo como Juno - A Embuchadinha Endiabrada ou MeninaGrávida.com. Chamou a atenção o roteiro ter sido escrito por uma blogueira que também era stripper - que combinação bizarra, meus amigos. Imagine alguém saindo de casa para ver a Clarah Averbuck fazendo a dança do poste, se bem que não é menos surreal que alguém saindo para comprar algo escrito por ela.

Mas Juno é bom, terminei o filme com uma certa vontade de também deixar a Ellen Page PRENHA, ou pelo menos acariciar as eróticas orelhas de abano da Jennifer Garner. Certamente o meu preferido deste último Oscar, e também o único que eu vi.

Cotação: 9 semanas e meia de amor, de 9 meses possíveis

SUPERBAD - É HOJE

Quem não tem Daniel Day-Lewis caça com Michael Cera, o astro de Hollywood mais bizarro da década. Esqueçam Johnny Depp, a figura mais estranha e pouco convencional da atualidade é este jovem mancebo que despontou para o anonimato em Arrested Development, e atualmente toca o terror nas melhores reedições de Porkys.

O filme começa muito chato, mas melhora quando a confusão tem início. A cena do McLovin copulando é quase artística, o gordinho chato é muito de verdade, aquele cara existe na vida real, e a menina que vomita é promissora.

Cotação: meia trepadinha sem tirar, de uma gozada na coxa possível

SANEAMENTO BÁSICO

Obedecendo a lei número 83917 que exige 33% de críticas negativas a filmes nacionais em blogs obscuros, assisti ao último hit de Jorge Furtado, o verdadeiro gaúcho da fronteira. Fica difícil acreditar num filme com a Fernanda Torres pagando de jagunça, a personagem dela fica totalmente sem sentido por ser interpretada logo por ela. O resto do elenco está ótimo, apesar dos movimentos meio David Blane que o braço do Paulo José fica fazendo.

Cotação: um bah!, de um barbaridade, tchê! possível

Flashforward do Los Hermanos

February 19, 2008

Rodrigo Amarante descobre que está com catapora e chama seus velhos amigos de banda para uma grande festa em seu sítio isolado.

A série Queridos Amigos poderia se chamar Los Hermanos não só por serem quase sinônimos, nem apenas por causa das barbas mal feitas de seus protagonistas. Os diálogos estilo ‘ai, posso abraçar aquela árvore?’ me trouxeram a nostalgia de estar ouvindo Ventura ou talvez o 4.

Pelo menos na turma do Camelo não tinha a Denise Fraga.

Cotação: um instante posterior, de um instante anterior possível

Vou dar um rolé de monza, brother

January 23, 2008


I see living people

Tinha prometido que ia parar de falar sobre assuntos da moda, já que aparentemente todos os outros blogs mundo afora fazem fortuna com pautas pagas, mas que diabos. Talvez você já tenha assistido “Eu Sou A Lenda”, filme baseado na música do Quinto Andar “A Lenda”.

Se rap é compromisso, Will Smith não é viagem. Em seu papel mais conturbardo desde Fresh Prince of Bel-Air, o astro norte-americano nos brinda com um emocionante retrato do artista quando chato. Fiquei triste quando matam a família toda dele, e fiquei mais triste ainda quando a sobrinha da Sônia Braga disse que nunca tinha ouvido falar de Bob Marley. Achei que esse fosse um indício de que os zumbis já tinham comido o cérebro dela, mas quem comeu alguma coisa foi o próprio Will, numa cena aparentemente deletada na edição final.

No final das contas, o filme todo me pareceu um episódio ruim do Capitão Suicídio, um negócio meio ‘À meia-noite levarei eu mesmo minha alma, não precisa se preocupar’. Mas ok, Fabíola está te aguardando, Will Smith. Volte para ela.

Cotação: um tira da pesada, de um possível

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